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A INFLUÊNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO LÉXICO: PROCESSOS DE FORMAÇÃO NEOLÓGICA NO DOMÍNIO DA NANOCIÊNCIA E NANOTECNOLOGIA

A INFLUÊNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO LÉXICO: PROCESSOS DE FORMAÇÃO NEOLÓGICA NO DOMÍNIO DA NANOCIÊNCIA E NANOTECNOLOGIA
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  AINFLUÊNCIADASNOVASTECNOLOGIASNOLÉXICO:PROCESSOSDEFORMAÇÃONEOLÓGICANODOMÍNIODANANOCIÊNCIAENANOTECNOLOGIA Deni Yuzo Kasama (Universidade Estadual Paulista/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Brasil)Gladis Maria de Barcellos Almeida (Universidade Federal de São Carlos, Brasil)Claudia Zavaglia (Universidade Estadual Paulista, Brasil) RESUMO :  O PRESENTE TRABALHO APRESENTA OS PROCESSOS DE FORMAÇÃO NEOLÓGICA MAIS PRODUTIVOS  NA TERMINOLOGIA DA NANOCIÊNCIA E NANOTECNOLOGIA, ÁREA INOVADORA CUJO LÉXICO AINDA ESTÁ SENDOCONSTITUÍDO NO CONTEXTO DA LÍNGUA PORTUGUESA VARIANTE BRASILEIRA.A FIM DE ALCANÇAR TAL INTENTO, PARTIU-SE DA ANÁLISE DE UM CORPUS EM LÍNGUA PORTUGUESA, COM MAIS DE DOIS MILHÕES DE  PALAVRAS, CONSTITUÍDO POR TEXTOS DE DISTINTOS GÊNEROS: CIENTÍFICO, CIENTÍFICO DE DIVULGAÇÃO,TÉCNICO-ADMINISTRATIVO, INFORMATIVO E OUTROS. EVIDENCIAM-SE AQUI ESPECIALMENTE OS FENÔMENOS  NEOLÓGICOS DA DERIVAÇÃO POR PREFIXAÇÃO, DA TRUNCAÇÃO SEGUIDO DA COMPOSIÇÃO E SUAS CONSEQÜENTES IMPLICAÇÕES DE SENTIDO QUE CONCERNEM TAMBÉM À LÍNGUA GERAL. PALAVRAS-CHAVE:NEOLOGISMO;PREFIXAÇÃO;TRUNCAÇÃO;COMPOSIÇÃO;NANOCIÊNCIA;NANOTECNOLOGIARESUMEN:  ESTE TRABAJO PRESENTA LOS PROCESOS DE FORMACIÓN NEOLÓGICA MÁS PRODUCTIVOS EN LATERMINOLOGÍA DE LA NANOCIENCIA Y NANOTECNOLOGIA, ÁREA INNOVADORA CUYO LÉXICO TODAVÍA ESTÁ CONSTITUYÉNDOSE EN EL CONTEXTO DE LA LENGUA PORTUGUESA EN SU VARIANTE BRASILEÑA. CON LA FINALIDAD DE ALCANZAR TAL OBJETIVO FUE ANALIZADO UN CORPUS EN LENGUA PORTUGUESA CON MÁS DE  DOS MILLONES DE PALABRAS CONSTITUIDO POR TEXTOS DE DISTINTOS GÉNEROS: CIENTÍFICO, TÉCNICO-CIENTÍFICO, TÉCNICO-ADMINISTRATIVO, INFORMATIVO Y OTROS MÁS. SE PRESENTAN AQUÍ ESPECIALMENTE  LOS FENÓMENOS NEOLÓGICOS DE LA DERIVACIÓN POR PREFIJACIÓN, DE LA TRUNCACIÓN Y DE LACOMPOSICIÓN Y SUS CONSECUENTES IMPLICACIONES DE SENTIDO RELACIONADAS TAMBIÉN A LA LENGUAGENERAL. PALABRAS-CLAVE: NEOLOGISMO;PREFIJACIÓN;TRUNCACIÓN;COMPOSICIÓN;NANOCIENCIA;NANOTECNOLOGIA Este artigo está organizado em quatro partes: na primeira, apresentamos o contexto da nossa pesquisa; na segunda, discorremos brevemente sobre o que vem a ser o domínio da Nanociência e Nanotecnologia, dando especial relevo ao seu caráter inovador e multidisciplinar; na terceira parte, percorremos o tema da neologia no âmbito técnico-científico, examinando especialmente a produtividade da partícula nano-  e apresentando os dados obtidos a partir do  corpus ; na quarta e última parte, apresentamos as nossas considerações finais. 1.INTRODUÇÃO O final do século XX e este início do século XXI têm sido marcados por um intenso avançotecnológico em muitos campos do conhecimento. As transformações nos diversos domínios do saber nunca aconteceram de maneira tão rápida e freqüente, muitas delas atingindo mais diretamente a população em geral, posto que muitas tecnologias passam a fazer parte do cotidiano das pessoas. Odesenvolvimento de novas descobertas científicas traz consigo termos novos, que acabamincorporando-se ao acervo lexical das línguas.Cabré (2006), na introdução dos Anais do IX Simpósio Ibero-americano de Terminologia(RITERM04), assim discorre sobre os avanços sociais, globalização e o papel da Terminologia neste panorama:  As profundas mudanças sociais que se produziram nas últimas décadas, que se podem sintetizar na aparição de novas relações e interdependências entre as culturas e as nações, nosavanços rápidos do conhecimento e a diversificação de sua difusão, no desenvolvimento dastecnologias, e na participação no fenômeno da globalização, tornam necessária a busca de soluçõescomuns aos problemas que afetam toda a humanidade. (...) A terminologia pode ter um papel importante neste diálogo (...): por um lado, porque pode participar da delimitação de conceitos fortemente ideologizados e polissêmicos à base de muitos conflitos desencadeados; por outro lado,   porque é um elemento chave na transmissão de idéias e conhecimentos em um marco de plurilingüismo e especialização. 1 (CABRÉ, 2006:25)A esse propósito, constatamos que os neologismos constituem um tema fundamental para osestudos em Terminologia, pois o surgimento de novas palavras no âmbito especializado representaumanecessidade comunicativa do falante de nomear aquilo que na realidade extralingüística apresenta-setambém como novo: “la neología es simplemente la anotación de palabras nuevas creadas por lasnecesidades de denominación, expresión y comunicación.” (LERAT, 1997:144). Ou como afirmaCabré (2000):  No hi há dubte que el primeri indici que mostra que uma llengua és viva és la seva capacitat de crear noves unitats, bàsicamente lèxiques. Aquesta capacitat no és gratuïta sinó plenament  funcional: en la mesura que es produeixen canvis socials, la llengua s’adapta em aquests canvis i genera noves unitats per denominar-los.  (CABRÉ, 2000:85)É nesse cenário de mudança e inovação tecnológica que surge o domínio da Nanociência e Nanotecnologia (doravante N&N), cuja terminologia tem sido objeto de nossos estudos tanto naUniversidade Estadual Paulista (UNESP),  campus  de São José do Rio Preto (SP, Brasil), quanto naUniversidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus  de São Carlos, (SP, Brasil). 2.ODOMÍNIODANANOCIÊNCIAENANOTECNOLOGIA Segundo Figueiredo (2006), “o termo Nanotecnologia foi utilizado pela primeira vez em 1974 pelo professor Norio Taniguchi da Universidade de Tóquio.”, e indica “uma unidade derivada igual a10 -9 vezes a primeira.” (FERREIRA, 2004) .  Apenas para que se tenha uma idéia dessa pequeneza, odiâmetro de um fio de cabelo humano mede cerca de 30.000 nanômetros, já “um minúsculo vírus,invisível a olho nu, se apresenta como uma incrível entidade com cerca de 200 nm.” (TOMA &ARAKI, 2005)É desse mundo “do muito pequeno” que trata o domínio da N&N, um dos mais promissorescampos de pesquisa da ciência, que prometem uma verdadeira revolução tecnológica.Para lidar com objetos tão pequenos, são necessárias, além de equipamentos modernos, carose complexos, metodologias específicas para manipular partículas de tamanhos tão reduzidos(KNOBEL, 2005). A propósito da necessidade de infra-estrutura própria, Chaves (2002) comenta: Um dos feitos mais importantes para o desenvolvimento da N&N foi a invenção em 1981 domicroscópio de varredura por tunelamento eletrônico (STM) (...) [que] deu srcem a uma família deinstrumentos de visualização e manipulação na escala atômica (...). Além da visualização nanométricade uma superfície, os SPM permitem manipular átomos e moléculas (...). Em um sentido figurado, osSPM podem operar como pinças capazes de manipular átomos e moléculas. (CHAVES, 2002)Ainda segundo Figueiredo (2006), a Nanotecnologia, por se basear na utilização de átomoscomo blocos de construção, cujo arranjo espacial e composição são usados para obter estruturas comnovas propriedades mecânicas, ópticas, eletrônicas ou magnéticas, pode gerar novos produtosindustriais. Ao conseguir criar novas moléculas de arquiteturas especiais e, conseqüentemente, propriedades especiais, a N&N firma-se como um campo amplo e interdisciplinar que envolve aQuímica, a Física, a Bioquímica, a Biofísica, a Engenharia de Materiais, a Ciência da Computação e aMedicina.Como área multidisciplinar, a N&N congrega os esforços de diversos pesquisadores dedistintas áreas. Alguns resultados de pesquisas já podem ser encontrados em produtos disponíveis nomercado. Outras pesquisas necessitam ainda que o conhecimento da área avance para que se possamalcançar os resultados esperados. No Brasil, os investimentos em N&N têm sido cada vez maiores e o desenvolvimento de produtos a partir de técnicas que envolvem a manipulação de objetos em escala nanométrica temrepresentadoum campo de estudo e pesquisa que se mostra produtivo para a pesquisa terminológica.  A esse propósito, Almeida  et al.  (2007) comentam os investimentos que têm sido feitos em N&N e o que se espera para o Brasil: Segundo documento elaborado pelo Grupo de Trabalho criado pela portaria Ministério daCiência e Tecnologia (MCT) n° 252, de 16/05/2003, intitulado “Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia” (2003), a Nanotecnologia é atualmente uma das áreas centrais das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação nos países industrializados. De acordo com o mesmodocumento, os investimentos aplicados nessa área de conhecimento por esses países têm sidocrescentes e atingiram, em 2002, cerca de cinco bilhões de dólares. A previsão é de que, entre 2010 e2015, o mercado mundial envolvendo a Nanotecnologia será de um trilhão de dólares. No Brasil, ocenário para pesquisas em N&N já é promissor, sobretudo nos segmentos de “manipulação de nano-objetos, nanoeletrônica, nanomagnetismo, nanoquímica e nanobiotecnologia, incluindo osnanofármacos, a nanocatálise e as estruturas nanopoliméricas” (“Desenvolvimento da Nanociência eda Nanotecnologia”, 2003), entretanto, ainda há uma grande defasagem dos países do Hemisfério Sul em relação aos países desenvolvidos, como mostra documento da Organização dos Estados Americanos (OEA), intitulado “Ciência, Tecnologia, Engenharia e Inovação para o Desenvolvimento:uma visão para as Américas no Século XXI” (2005).  (ALMEIDA  et al  ., 2007)A partir do texto acima, já é possível observar termos que são próprios da N&N, tais como:“nanociência”, “nanotecnologia”, “nano-objetos”, “nanoeletrônica”, “nanomagnetismo”,“nanoquímica”, “nanobiotecnologia”, “nanofármacos”, “nanocatálise” como substantivos e“nanopoliméricas” como adjetivo. Todos esses termos possuem, ao menos, uma característica emcomum, pois todos seguem um modelo de formação: a junção da partícula “nano” às bases substantivase adjetivas pré-existentes, gerando um novo item lexical.A escolha do domínio da N&N justifica-se por constituir-se num conjunto de saberes etecnologias relativamente recentes e, por isso, sua terminologia ainda estar em fase de construção,sobretudo no que diz respeito à língua portuguesa, variante brasileira.Tendo em vista as diversas possibilidades que o sistema lingüístico oferece ao falante de umalíngua para nomear um novo referente, propõe-se, neste artigo, observar os processos de formaçãoneológica mais produtivos na terminologia da N&N, quais sejam: a derivação por prefixação e atruncação seguida da composição. 3.ANEOLOGIANOÂMBITOTÉCNICO-CIENTÍFICO O léxico, nível lingüístico mais diretamente ligado à realidade extralingüística, apresenta-se,em relação aos outros níveis, como o menos sistematizado. Sendo considerado um inventário aberto,ele fornece ao falante possibilidades constantes de criação neológica. E o falante, por meio de suacompetência lexical, faz uso dessas possibilidades oferecidas pelo sistema lexical da língua eenriquece, com osneologismos, o acervo vocabular (ALMEIDA, 1995).Os neologismos surgem, via de regra, para suprir uma necessidade de  expressão  ou denominação  sentida pelo falante. Expressão, porque a unidade lexical pode ser criada por razõesestilísticas, contribuindo, assim, para dar um melhor efeito no discurso; denominação, porque oneologismo criado pode servir para designar objetos, procedimentos, equipamentos, conceitos novos ounovas maneiras de perceber e entender a realidade. E com os avanços científicos e tecnológicosconstantes, próprios do mundo moderno, essas criações lexicais passam a ser freqüentes nas linguagensespeciais, mais particularmente nas terminologias técnicas e científicas, nas quais as novidades surgemdiariamente(ALMEIDA, 1995).O que percebemos, então, é que as terminologias técnicas e científicas são, em grande parte,responsáveis pelo enriquecimento do léxico de uma língua. A respeito dessa “cumplicidade” entre alíngua e a ciência/tecnologia, Quemada afirma: ...uma língua de cultura moderna, necessariamente científica e técnica, não deve ver na neologialexical apenas um mal inevitável. É a primeira condição a partir da qual o idioma pode permanecer um instrumento de comunicação nacional, mesmo internacional, e não ser apenas uma língua viva. Deve até considerar a criatividade lexical como parte responsável pela sua riqueza imediata, como sinal evidente de sua vitalidade.  (  Apud   ALVES, 1984:119)  É por isso que Boulanger (1990:234) salienta que a criação lexical é certamente o reator queativa a evolução lingüística, pois em razão de sua permeabilidade às mudanças da sociedade, vive,como ela, em constantes transformações.A neologia nos textos de especialidade é tão produtiva, que se cunharam termos específicos para denominar esse fenômeno:  neonímia , de acordo com Rondeau (1984,  apud   ALVES, 2000:122), e neotermo , segundo Boulanger (1984,  apud   ALVES, 2000: 123).Segundo Alves (2000), “do ponto de vista da formação, neologismos e neônimos sãoconstituídos pelos mesmos processos: derivação, composição, transferência semântica, empréstimo deoutros idiomas, truncação.” (ALVES, 2000:123). No âmbito deste trabalho, como dito anteriormente,daremos relevo aos processos de derivação por prefixação e truncação seguido de composição.A seguir, discorreremos sobre o prefixo e suas características, apresentaremos o verbete  nano- em dois dicionários da língua portuguesa e, finalmente, demonstraremosa produtividade de sentidos da partícula  nano-  em lexias extraídas do  corpus da N&N. 3.1.APARTÍCULA  NANO- De acordo com Cunha & Cintra (2001), nem sempre é fácil estabelecer a diferença entre um prefixo (que se inclui no processo de derivação) e um elemento de composição. Segundo os autores, é possível afirmar que os prefixos “são meras partículas sem existência própria no idioma” (p. 84), aocontrário daquelas que podem funcionar de forma autônoma. Para este segundo caso, os autores dãocomo exemplos contra-  em  contradizer  e  entre-  em  entreabrir  . Ainda assim, isso não parece suficiente, já que numa oração anterior os mesmos autores afirmam: “os prefixos são mais independentes que ossufixos.” Para tentarmos fugir desse dilema – posto que não é este o objetivo deste artigo – eestabelecermos um conjunto de características que nos auxilie a classificar os casos que se mostraram bastante freqüentes no  corpus  da N&N, valer-nos-emos do conceito e características dos prefixosestabelecidos em Alves (2007 2 ) e Correia & Lemos (2005), respectivamente.Para Alves (2007):  A derivação prefixal é um processo extremamente produtivo no português contemporâneo. Ao unir-sea uma base, o prefixo exerce a função de acrescentar-lhe variados significados: “grandeza, exagero,oposição, pequenez, repetição...”. Como não há unanimidade, na língua portuguesa, quanto aonúmero e à natureza dos morfemas prefixais, trataremos como prefixos as partículas independentes ounão-independentes que, antepostas a uma palavra-base, atribuem-lhe uma idéia acessória emanifestam-se de maneira recorrente, em formações em série.  (ALVES, 2007:14-15)Correia & Lemos (2005) atribuem ao prefixo as seguintes características:  – ocorrem sempre à esquerda da base; – corresponde frequentemente a antigas preposições e advérbios latinos e gregos; – tem um conteúdo semântico menos gramatical (e concomitantemente mais facilmente perceptível) doque o sufixo, levando por vezes a situações em que é difícil distinguir entre prefixos e elementos decomposição. (CORREIA & LEMOS, 2005:30-31)Observe-se que as autoras também mencionam a mesma dificuldade apontada por Cunha &Cintra (2001) que explicitamos acima.Correia & Lemos (2005) afirmam, ainda, que “tradicionalmente o prefixo não altera acategoria da base”, embora haja casos em que isso ocorra na língua portuguesa. A propósito, Alves(2007) também aponta essa possibilidade listando uma série de exemplos em que o prefixo muda aclasse gramatical da base a que se associa.Ainda para Correia & Lemos (2005:31), a prefixação pode ser organizada em torno de trêseixos semânticos: 1) negação, oposição, privação; 2) localização espaço-temporal; 3) quantificação,intensificação, avaliação.Para complementar, buscamos o verbete  nano-  em dois importantes dicionários do português,considerados referência no Brasil, são eles:  Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa  e  Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0.  Para o primeiro, oprefixo  nano-  é assim definido: nano - Prefixodo SI, simbolizado por n, do gr. nánnos,é,on 'de excessiva pequenez' ou nânos 'anão', adotado na 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, de 1960 (resolução nº 12), equivalente a um multiplicador 10 -9  , ou seja, milésimo milionésimo (na nomenclatura tradicional brasileira bilionésimo) da unidadeindicada.  (HOUAISS & VILLAR, 2001)Ainda nesse mesmo dicionário, temos como entrada os seguintes lemas iniciados por   nano- : nanoampere / nanoampère ,  nanocefalia ,  nanocefálico ,  nanocéfalo ,  nanocormia ,  nanocórmico , nanocormo ,  nanofanerófita ,  nanofanerofítico ,  nanofanerófito ,  nanofarad  ,  nanograma ,  nano-henry , nanolitro ,  nanomelia ,  nanomélico ,  nanômetro ,  nanomol  ,  nanoplancto / nanoplâncton ,  nanossegundo , nanovolt   e  nanowatt  . Desses itens lexicais, verificamos a característica de “excessiva pequenez” (basemultiplicada por 10 -9 ) nos seguintes verbetes:  nanoampere / nanoampère ,  nanofarad  ,  nanograma ,  nano-henry ,  nanolitro ,  nanômetro ,  nanomol  ,  nanossegundo ,  nanovolt   e  nanowatt  . Logo, para essas entradas, podemos estabelecer uma generalização, qual seja:  para todo “nano(-)X”, sendo X uma baselexicalizada antecedida ou não por hífen, temos X(10 -9  ) como definição , ou seja, 1  nanomol   será 1 molmultiplicado por 1 bilionésimo.Com relação às demais entradas do dicionário, se observarmos a definição de  nano-  acima,concluímos que essas unidades não compartilham da generalização feita no parágrafo anterior. Uma nanocormia  não se refere a 1 cormo 3 multiplicado por 1 bilionésimo, uma vez que  nanocormia  é uma“anomalia de desenvolvimento caracterizada por   pequenez   anormal do tronco humano” (HOUAISS &VILLAR, 2001). Tal fenômeno exemplifica a conclusão a que chegou Cano (1998) após um estudosobre a prefixação no vocabulário técnico-científico:  A análise mostrou que o valor semântico dos prefixos estudados vai muito além do valor intensificador ou do locativo. Em vários prefixos ocorre um semanticismo mais especializado, sóinferido por meio das definições dos dicionários técnicos. (...) nem sempre a soma dos conteúdosconstituintes do termo derivado corresponde ao conteúdo do produto, e muitas vezes o prefixo, aoinvés de determinar toda a palavra derivada, determina somente um de seus constituintes, ou ainda,uma unidade léxica expressa na definição do termo.  (CANO, 1998: 89)De fato, observa-se o traço semântico “tamanho reduzido” da base prefixada, mas nãonecessariamente uma redução da ordem de um bilionésimo.Já no  Dicionário Aurélio, nano-  é definido como segue: nano-  Prefixo1. que, anteposto ao nome de uma unidade de medida, indica uma unidade derivada igual a 10-9 vezesa primeira: nanômetro. [Símb.: n.] (FERREIRA, 2004)A partir dessesverbetes, é possível concluir que tal prefixo acresce ao significado da base umanoção de tamanho reduzido (não necessariamente da ordem de um bilionésimo), encaixando-se, portanto, no terceiro eixo semântico apontado por Correia & Lemos(2005). 3.2.LEVANTAMENTODEDADOSAPARTIRDO CORPUS   No contexto do projeto NanoTerm, 4 o Grupo de Estudos e Pesquisas em Terminologia(GETerm), da Universidade Federal de São Carlos (SP, Brasil), compilou um  corpus  que conta com2.739.621 palavras, incluindo textos dos gêneros Científico, Científico de Divulgação, Técnico-Administrativo, Informativo e outros (aqui são contemplados  slides  de palestras proferidas na área, prospectos de empresas e institutos de pesquisas e demais documentos avulsos obtidos em feiras e
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