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Capital humano e capital social como fatores-chave de inovação na escola

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  EntreVer, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 236-250, jul./dez. 2012 236 CAPITAL HUMANO E CAPITAL SOCIAL COMO FATORES-CHAVEDE INOVAÇÃO NA ESCOLA HUMAN CAPITAL AND SOCIAL CAPITAL AS KEY FACTORS FOR INNOVATION IN SCHOOL Magda Pischetola 1   RESUMO  Ao redor do mundo, iniciativas políticas dos últimos anos visampromover a inovação educacional a partir do pressuposto de que asTecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são o meio principalda transformação das práticas pedagógicas. O uso da tecnologiaimpõe-se como uma necessidade generalizada, mas o entendimento deque a tecnologia, por si só, leva consigo a inovação, se traduz muitasvezes em uma relação linear e determinística. Neste artigo, propõe-seuma reflexão crítica desta visão, com a introdução de dois fatores queacreditamos serem mais importantes para gerar transformações naescola: o capital humano e o capital social. O tema será desenvolvidocom base em duas propostas relativas a estes capitais, ou seja, aformação profissional dos professores e a valorização da rede derelações já existente entre eles.  Palavras-chave: Inovação na Escola. Capital Humano. Capital Social. ABSTRACT It is generally agreed upon the possibility Information andCommunication Technologies (ICT) bring to innovation of the schoolsystem. Following this idea, various political initiatives have been madein the latest years to address the introduction and use of ICT at school.Many of these programs, though, suffer from the incapacity to planessential steps of the implementation process. They assume technologyitself will be the solution for innovation. While much of the focus of projects is on infrastructure, investing in the people and social systemsin the education sector is what really seems to be successful. Recentfindings confirm what many in the social sector recognized: that buildingsocial and human capital is both important and difficult. This articledefines the concepts of human capital and social capital, focusing on the 1 Doutora em Educação pela Università Cattolica del Sacro Cuore di Milano/Itália,pesquisadora e colaboradora de programas de formação no Centro di RIcerca ePesquisa s ull’ Educazione ai M edia all’Informazione e alla Tecnologia (CREMIT) damesma universidade. Pós-Doutoranda em Educação no PPGE/UFSC sob asupervisão da Profa. Dra. Monica Fantin. E-mail: magda.pischetola@unicatt.it   EntreVer, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 236-250, jul./dez. 2012 237 possibilities that they can bring to promote didactics innovation. It relateshuman capital to professional training and social capital to the existingnetwork of social relationship among professionals. Keywords: School Innovation. Human Capital. Social Capital. 1 INTRODUÇÃO Muitos dos projetos surgidos em regiões emergentes do mundo,nos últimos anos, visam o desenvolvimento humano através daintrodução de computadores na escola. Uma grande porcentagem deles já falhou ao não levar em conta fatores fundamentais no contexto daintegração da tecnologia, como a importância dos aspectos sociais daaprendizagem mediada por computador e a disponibilidade deconteúdos, a sustentabilidade econômica e cultural, e a necessidade deapoio em termos de formação e de assistência técnica(WARSCHAUER, 2006).Para abrir caminhos de desenvolvimento sustentável,respeitando ao mesmo tempo as diversidades culturais, é importanteadotar, em primeiro lugar, uma visão de desenvolvimento considerandoque em qualquer contexto, as diferenças locais podem criar tantoquanto destruir as perspectivas: se tomarmos medidasinadequadas do ponto de vista econômico, tecnológico ouadministrativo, se os moradores da comunidade perceberemque o projeto de melhoria os expõe a um riscodesnecessário, se o determinado programa não for adequado às condições locais, [...] se toda uma série dedinâmicas não forem favoráveis, mesmo os melhores planosestão fadados ao fracasso (BLACK, 2002, p. 138).  Ao contrário, algumas abordagens de inserção das tecnologiasna escola parecem afirmar que uma nova tecnologia, pelo simples fatode ser mais avançada que as anteriores, terá sucesso em termos deinovação. Esta visão é geralmente conhecida como determinismotecnológico.  EntreVer, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 236-250, jul./dez. 2012 238O chamado determinismo ou imperativo tecnológico atribuiuma necessária positividade ao desenvolvimentotecnológico. A tecnologia não é inteiramente controlada pelohomem (como se concebe numa visão instrumental); é elaque, utilizando-se do avanço do conhecimento do mundonatural, verdadeiro e neutro, molda (empurra para um futurocada vez melhor) a sociedade as exigências de eficiência eprogresso que estabelece. [...] As teorias deterministasreduzem ao mínimo a capacidade humana de controlar odesenvolvimento técnico, mas consideram que os meiostécnicos são neutros na medida em que satisfazem apenasàs necessidades naturais (PEIXOTO, 2009, p. 220).  Aplicada ao contesto da educação, esta visão sugere quequalquer avanço tecnológico seria razão necessária e suficiente para asua inclusão na escola. No entanto, diversas pesquisas salientam que oaspecto que mais possibilita o uso eficaz das tecnologias é a presençade professores competentes trabalhando próximos dos alunos. Essasconclusões, baseadas em estudos empíricos comparativos a nívelinternacional, apontam para a complexidade que envolve a educação epara os equívocos em que se pode incorrer ao se confiar na tecnologiacomo única fonte de inovação no contexto escolar (WARSCHAUER,2006; LEMOS, 2007; FANTIN, RIVOLTELLA, 2010; BONILLA,PRETTO, 2011; PISCHETOLA, 2011). As TIC precisam ser integradas ao contexto escolar não apenasporque a sociedade contemporânea generalizou seu uso ou porquefacilitam a aprendizagem, mas principalmente pelas reflexões quepodem gerar junto à revisão das práticas pedagógicas (PEIXOTO,2009). Nessa perspectiva, entendemos que o primeiro passo naconcepção de um programa de inclusão digital corresponde aoreconhecimento das necessidades específicas da realidade onde oprograma será implantado. Considerando tais aspectos comopressupostos da proposta pedagógica, pode-se passar a avaliar osmeios e métodos adequados para o contexto cultural e para o momento  EntreVer, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 236-250, jul./dez. 2012 239 da execução do programa. A formação de professores é o primeiropasso desse desafio. 2 FORMAÇÃO, CONSTRUÇÃO DE COMPETÊNCIAS E PROCESSOSORGANIZACIONAIS  A linha de raciocínio adotada neste artigo sugere que, pararenovar/inovar a escola, é preciso, em primeiro lugar, uma análise dasnecessidades e um estudo aprofundado da situação. Com base emdeterminadas evidências, pode-se então pensar na construção de umquadro para a intervenção educativa. O que nos preocupa, aqui, éatingir dois objetivos principais:1. Construção de competências individuais e sociais (habilidadestécnicas ou não), relacionadas ao uso de Tecnologias de Informação eComunicação (TIC), que representem uma oportunidade para ainclusão social (VAN DIJK, 2005).2. Implantação de processos organizacionais na escola, em interaçãomútua com os processos sociais, que oferecem oportunidades paramudar sua cultura organizacional e redefinir suas necessidades e osinteresses prioritários da comunidade escolar (LEASK, 2001;MICHELINI, 2006). A temática das competências pode ser introduzida por umadeclaração de Decroly: Toda inovação, radical ou superficial, quaisquer que sejamseus pressupostos teóricos, deve primeiro passar pelo crivoda experiência. [...] A atividade educacional  – mais do quequalquer outra atividade humana  – deve ser flexível,adaptável, capaz de evolução (DELCROY, 1921, p. 19). No que diz respeito à aquisição de competências, sabemos queisso representa o objetivo fundamental da inclusão social.  EntreVer, Florianópolis, v. 2, n. 2, p. 236-250, jul./dez. 2012 240 Incluir significa possibilitar o crescimento de dois capitaispresentes nas escolas: o capital humano e o capital social . O capitalhumano diz respeito ao crescimento individual através daaprendizagem e ao acúmulo de experiências (LEMOS, 2007). O capitalsocial é aquele que valoriza a dimensão comunitária, institucional esocietária que apoia o acesso às TIC (WARSCHAUER, 2006). Assim, é crucial desenvolver ações de capacitação na educaçãoque sejam destinadas a reforçar o capital humano e o capital social. Oprimeiro tipo de intervenção relaciona-se ao conceito mais amplo deformação profissional, enquanto o segundo é definido como uma trocade conhecimento formal e informal. Delinearemos nos próximosparágrafos as características dos dois capitais e a relativa intervençãopara incentivá-los.  3 CAPITAL HUMANO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Um elemento-chave da inovação na escola é, em primeiro lugar,uma formação de professores que tenha como objetivo articular astransformações geradas pela introdução das TIC no currículo escolar erever as práticas pedagógicas. Isso é fundamental para desenvolver ashabilidades necessárias para lidar com a gestão de novos ambientes deaprendizagem, e para motivar os professores para o desenvolvimentoprofissional (KOZMA et al., 2004).Se, por um lado, a introdução de uma nova ferramentatecnológica nas dinâmicas de ensino representa para o professor aoportunidade de aprofundar, e possivelmente rever, as suas convicçõespedagógicas, por outro lado é inevitável que gere uma insegurançapsicológica que pode facilmente prevalecer, e até manifestar-se narecusa das ferramentas tecnológicas e/ou no fortalecimento de práticastradicionais de ensino. Então, é papel da formação acompanhar os
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