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A AFINIDADE COM A FÍSICA: UMA ANÁLISE FEITA COM ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL (UFMS)

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  Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.15 | n. 01 | p. 67-80 | jan-abr | 2013 |67| A AFINIDADE COM A FÍSICA: UMA ANÁLISE FEITA COM ESTUDANTESDA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL (UFMS) RESUMO: Este trabalho tem como objetivo investigar fatores queinfluenciaram estudantes de Física da Universidade Federal do MatoGrosso do Sul (UFMS) na escolha do curso, e o papel que seus própriosprofessores tiveram nessa escolha. Para tal, construímos e aplicamosum questionário a quarenta e cinco graduandos de Física (bachareladoe licenciatura). Dentre os resultados, destacamos que os estudantes investigados desenvolveram anidades com a Física antes de optarem pela carreira. Ao apontarem professores dos quais tenham gostado duranteo percurso de formação, aqueles que ministraram Física foram os mais lembrados. Porém, a anidade com o conhecimento é o fator mais citadocomo denidor da escolha. Entendemos que o professor, mesmo não sendo peça fundamental nessa escolha, é um importante agente motivador, inuenciando estudantes na escolha pela carreira cientíca. Palavras-chave: Afetividade. Ensino de Física. Escolha da Carreira. THE AFFINITY WITH PHYSICS KNOWLEDGE: AN ANALYSIS FROM THE GRADUATESTUDENTS OF PHISICS UFMSAbSTRACT: The aim of this study is to investigate aspects that inuenced students of Physics at the Federal University of Mato Grosso do Sul (UFMS) to choose that course and the inuence that their own teachershad on their decision. In order to do that, a questionnaire was preparedand answered by forty-five students of Physics (bachelor’s course orteacher’s course). In the results we highlighted that those studentsdeveloped afnities with physics knowledge before choosing the course.  The analysis suggests that the teacher, although not predominant in these choices, is an important catalyst, thus inuencing students to choose acareer in science co-operating. Keywords: Affectivity. Physics education. Career choice. bruno dos Santos Simes*Ana Luiza de Quadros**Simoni Tormöhlen Gehlen***Hamilton Perez Soares Corra****Rodolfo Langhi***** * Licenciado em Física pelaUniversidade Federal de MatoGrosso do Sul (UFMS) eMestre em EducaoCientífica e Tecnológica pelaUniversidade Federalde Santa Catarina (UFSC).Email: simoes89@uol.com.r**Doutora em Educao pelaFaculdade de Educao daUniversidade Federal de MinasGerais (FAE/UFMG). ProfessoraAssistente do Departamentode Química no Instituto deCincias Exatas da (IQUFMG).Email: aquadros@qui.ufmg.r***Doutora em EducaoCintífica e Tecnológica pelaUniversidade Federal de SantaCatarina (UFSC). Professoraadjunta do Departamentode Cincias Exatas eTecnológicas da UniversidadeEstadual de Santa Cruz (UESC).Email: simonigehlen@yahoo.com.r****Doutor em Química pelaUniversidade EstadualPaulista (UNESP). ProfessorAdjunto do Centro deCincias Exatas e Tecnológicasda Universidade Federal deMato Grosso do Sul (UFMS).Email: hpsoares@gmail.com*****Doutor em EducaoPara a Cincia pelaUniversidade Estadual PaulistaJúlio de Mesquita Filho(UNESP/bauru). ProfessorAssistente Doutor doDepartamento de Físicada Faculdade de Cincias daUNESP/bauru.Email: prof.langhi@gmail.com  Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.15 | n. 01 | p. 67-80 | jan-abr | 2013|68|Bruno dos Santos Simões | Ana Luiza de Quadros | Simoni Tormöhlen GehlenHamilton Perez Soares | Rodolfo Langhi INTRODUçãO A relação dos conteúdos cientícos com o contexto social dos estudantes tem sido amplamente discutida com o objetivo de promover aprendizagens que os auxiliem a entender melhor o mundo em que vivem , a m de que atuem nele de forma consciente. Porém, outras estratégias que podem proporcionar maisqualidade ao ensino têm recebido atenção. Entre elas, podemos destacar as aulasdialogadas (MORTIMER & SCOTT, 2003), o ensino a partir das concepções prévias(MORTIMER, 1996; SCHNETZLER, 1992) e a implementação de um ambiente afetivo. Sabe-se que os conhecimentos escolares devem estar comprometidos com o sentido coletivo da vida e do trabalho e, para isso, devem considerar a criticidade, aresponsabilidade ambiental e social, a motivação dos estudantes, entre outros fatores.No ensino de Ciências, vários estudos (VILLANI & CABRAL, 1997;PIETROCOLA & PINHEIRO, 2000; CUSTÓDIO, 2007; QUADROS et al.,2005; DALRI & MATTOS, 2008) foram desenvolvidos nas últimas décadas, des - tacando aspectos ligados a questões de afetividade e de motivação do sujeito comofatores importantes no processo de ensino e aprendizagem.Destacamos o trabalho de Quadros et al. (2005), em que os autores apre - sentam uma investigação feita junto aos estudantes do curso de Licenciatura emQuímica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nele, são analisados fatores que inuenciam na formação da identidade docente e na opção pela car- reira desses estudantes. Para os autores, vários fatores estão envolvidos nessaescolha, entre eles as características mais marcantes de um professor, que estãoligadas a fatores pedagógicos e afetivos, tais como a metodologia usada, a amizade,o companheirismo, o bom humor, o diálogo constante e a atenção. De forma análoga investigamos, neste trabalho, os fatores que inuenciaram os estudantes de Física da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) naescolha do curso, e a participação que seus professores tiveram nessa escolha.Para isso, levantamos as seguintes questões: De que maneira o professor de Ciências pode ter exercido inuência nos alunos que ingressaram no curso de Física da UFMS? Que aspectos principais permeiam a relação entre professor eestudante e que são consideradas importantes pelos graduandos em Física? Queoutros fatores, além do professor, contribuem para que os estudantes de EnsinoMédio optem pela carreira de físico?Para argumentarmos em torno desses questionamentos, usamos as cate - gorias construídas por Quadros et al. (2005) e nos baseamos em outros autoresque já desenvolveram estudos nessa área, brevemente apresentados a seguir. AFETIVIDADE NO ENSINO DE CIêNCIAS Há estudos e pesquisas em Educação que buscam discutir aspectos ligadosa questões da afetividade e à motivação do sujeito como fatores fundamentais  Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.15 | n. 01 | p. 67-80 | jan-abr | 2013 |69|A afinidade com a Física: uma análise feita com estudantesda Universidade Federal Do Mato Grosso Do Sul (UFMS) no processo de ensino e aprendizagem (MACHIORE & ALENCAR, 2009;SILVA & SCHNEIDER, 2007), inclusive no ensino de Ciências (VILLANI &CABRAL, 1997; PIETROCOLA & PINHEIRO, 2000; QUADROS, et al., 2005;CUSTÓDIO, 2007; DALRI & MATTOS, 2008; MARTINI, 2006). Dalri e Mattos (2008) armam que as escolhas que fazemos durante nossa vida são direcionadas por experiências vividas e pela forma como aprendemos arepresentar as coisas do mundo. Nesse contexto, a escolha pela prossão de físico ou professor de Física é norteada pelas relações que esse sujeito constrói com osaber físico e pedagógico. Porém, valores como status  , poder, recompensas sala - riais, também podem estar presentes.Martini (2006) defende que os indivíduos se apropriam dos elementosculturais construídos pelo homem ao longo da história por meio das interaçõessociais. Nessas interações, o professor atua como mediador, assumindo um papelimportante na construção do conhecimento dos estudantes, e estes incorporamtambém os modos de pensar, agir e sentir, enquanto se constituem sujeitos. Asdecisões sobre o tipo de prática de ensino adotado pelo professor têm inúmeras implicações afetivas no comportamento dos estudantes, inuenciando sua relação com os objetos de conhecimento escolares, determinando, em última análise, anatureza dos vínculos que estabelecem com esses objetos.Quadros et al. (2005), que focaram seu trabalho na formação de profes -sores, armam que:  A peculiaridade da formação do professor, por ter em seu mundo de trabalho o mesmo“espaço” no qual foi formado, ou seja, a sala de aula favorece a que ele assuma, depoisde formado, não só a posição física de seus professores, mas também a postura, atitudes,formas de ensinar e etc., fazendo um efeito “espelho”. (p. 7) Para esses autores, cada um de nós carrega uma imagem ou modelo deprofessor que é formada durante todo o período de escolarização e que, com oacréscimo de outros saberes obtidos na licenciatura ou incorporados pela própria prática, constroem a nossa identidade como prossionais e como professores, interferindo diretamente nas ações e opções que fazemos.Para Von Hohendorff (1999), que realizou releituras de Freud sobre psi - cologia escolar, o papel do professor na relação com o estudante vai além de trans - mitir conhecimento. É importante que o próprio professor entenda que o lugarque ocupa em relação a seus alunos não é apenas o de ensinar, mas o de formarsujeitos (VON HOHENDORFF, 1999). Do ponto de vista da prática pedagógica, compreende-se que fortalecer a afetividade na relação entre professores e estudantes favorece a autoestima, o diálogo e a socialização, colocando em evidência esse caráter unicador promovido pelas emoções (SILVA & SCHNEIDER, 2007). Esses autores ressaltam, ainda, que aafetividade é importante no processo de avaliação, afastando o risco de eventuaisantipatias entre professor e estudantes.  Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.15 | n. 01 | p. 67-80 | jan-abr | 2013|70|Bruno dos Santos Simões | Ana Luiza de Quadros | Simoni Tormöhlen GehlenHamilton Perez Soares | Rodolfo Langhi Villani e Cabral (1997) utilizam pressupostos da psicanálise em seus tra - balhos, levando em consideração aspectos afetivos e motivacionais que permeiamo sujeito estudante. Os autores mencionam que para engajar o estudante nas aulas,é necessário que o professor considere suas ideias, saiba lidar com elas, incentive a discussão e auxilie em sua evolução. Nesse contexto, não há espaço para censura de ideias. Isso denota claramente um aspecto afetivo nas relações de sala de aula.Os resultados de outro estudo nessa linha foram publicados por Custódio(2007). Ao discutir aspectos da afetividade no processo de ensino e aprendizagem, o autor visa compreender a dimensão afetiva das explicações que os estudantes cons- troem sobre o mundo e entender a incorporação e operacionalização de conheci -mentos cientícos, a m de contemplar padrões afetivos envolvidos. Embora asexplicações sejam o elemento essencial na comunicação dos saberes na sala de aula, não são muito claros os mecanismos que levam alguém a aceitar e/ou entender uma explicação (CUSTÓDIO, 2007). Nesse contexto, o autor conclui que os vínculos afe- tivos criados com o conteúdo físico e com o professor de Física são fatores cruciaisno processo de ensino e aprendizagem. Para ele, os estudantes conseguem entender melhor as explicações de seus professores se houver várias ligações afetivas dentro do ambiente da sala de aula.Para Pietrocola e Pinheiro (2000), o professor consegue desenvolver melhoro seu trabalho de sala de aula quando utiliza práticas pedagógicas que integram osestudantes no processo de aprendizagem. E esse aluno aprende melhor quando consegue ver no professor alguém que compartilha e entende suas diculdades, anseios e necessidades. São os vínculos afetivos que tornam a aprendizagem mais eciente e concreta (PIETROCOLA & PINHEIRO, 2000). De acordo com Silva e Schneider (2007), apesar de valorizarmos a afetivi - dade como elemento importante na relação entre professor e estudantes, é impor - tante ressaltar que isso não é garantia de aprendizado. São igualmente importantesas estratégias didáticas, a qualidade das intervenções do professor e também omodo como planeja e utiliza os recursos em sala de aula. Além disso, os autores consideram importante a diversicação de estratégias, por meio de metodologiade projetos, de aulas-passeio, da dramatização, do uso do lúdico, entre outros (SILVA & SCHNEIDER, 2007).Para encontrarmos algumas evidências que nos permitam argumentar melhor sobre a inuência do professor na opção pela carreira de físico entre os estudantes de graduação em Física da UFMS, desenvolvemos este estudo. METODOLOGIA Neste trabalho, investigamos os elementos que inuenciaram ou inuen- ciam os jovens e adolescentes na escolha pelo curso de graduação em Física, licen -ciatura e bacharelado, da UFMS. Para tal, denimos o percurso da investigação e caracterizamos o nosso campo de investigação.  Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.15 | n. 01 | p. 67-80 | jan-abr | 2013 |71|A afinidade com a Física: uma análise feita com estudantesda Universidade Federal Do Mato Grosso Do Sul (UFMS)   a) O percurso da investigao Este trabalho faz uma análise qualitativa envolvendo os aspectos que inter - ferem na escolha pelo curso de graduação em Física, dos estudantes de bachareladoe licenciatura da UFMS. Para tal análise, fazemos uso de dados quantitativos, cole - tados no ambiente em que os investigados estudam. Para Garnica (1997), na análisequalitativa, o termo  pesquisa  passa a ser concebido como uma trajetória circular emtorno do que se deseja compreender, voltando o olhar para a qualidade e para os elementos que são signicativos para o pesquisador. Os métodos qualitativos são voltados especicamente para os chamados “fenômenos humanos”, com o intuitode elucidar e conhecer os complexos processos de constituição da subjetividade. Baseados em André (2009), argumentamos que este trabalho usa técnicas tradicionalmente associadas à etnograa, tais como a coleta de dados em seu am-biente natural e a análise dos dados considerando o contexto cultural no qual os sujeitos estão inseridos.Optamos pelo uso do questionário como instrumento de coleta de dados, considerando-o como um conjunto de questões pré-elaboradas, sistemáticas e sequen- cialmente dispostas em itens que constituem o tema de nossa investigação. O ques - tionário foi construído com vinte perguntas, tendo dez delas o objetivo de carac - terizar os pesquisados e sendo as outras dez relativas aos objetivos do trabalho. Asquestões de caracterização dos investigados eram simples, solicitando dados sobreo tipo de escola que cursou durante a educação básica (Fundamental e Médio);a época em que concluiu o Ensino Médio; o ano em que ingressou no EnsinoSuperior; a modalidade que cursa atualmente (bacharelado ou licenciatura) e sea modalidade atual coincide com a modalidade de ingresso; além de dados gerais envolvendo sexo, idade, semestre do curso. Oito das questões relativas ao objetivo do trabalho eram abertas, e duas de múltipla escolha. As questões abertas envolviam perguntas em que o sujeito pôde expor sua opinião livremente frente ao assunto inquirido, e as questões fechadasforam formadas por perguntas em que o sujeito escolheu, dentre uma gama de opções, aquela que mais se aproximava de sua opinião sobre o assunto inquirido (GIL, 2006).O questionário foi aplicado em todas as turmas da Física da UFMS, tantodo curso de licenciatura como do bacharelado, com estudantes matriculados no1º semestre de 2010 e regularmente frequentes nos cursos. O curso de Física daUFMS tem ingresso anual com 25 vagas para cada um dos cursos, licenciatura ebacharelado. Entretanto, possui um número reduzido de alunos em cada uma das turmas, principalmente nos semestres nais do curso. Alguns alunos em nal decurso frequentam poucas disciplinas, o que dicultou a entrega dos questionários. Do total de estudantes, 65 receberam o questionário e 45 retornaram respondidos.Para a análise dos questionários, usamos as mesmas categorias do trabalho deQuadros et al. (2005) para analisar as memórias dos entrevistados sobre o pro - fessor que descreviam. Essas categorias levaram em consideração as referênciasafetivas, pedagógicas e de conhecimento.
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